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30 dias de roupa nova: moda, comércio e estilo no Maior São João do Mundo

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Apresentação: Esta reportagem foi feita à várias mãos e produzida originalmente para o projeto Repórter Junino, do curso de Comunicação Social (habilitação Jornalismo), da Universidade Estadual da Paraíba, onde sou professora. O projeto é desenvolvido todos os anos no período junino para celebrar jornalisticamente esta que é a maior festa popular do Nordeste, comandado pelo professor Fernando Firmino. Resolvemos publicar o material na integra por aqui também para divulgar ainda mais esse trabalho, do qual temos muito orgulho. Um exercício que mostra, dentre outras coisas, que é possível produzir conteúdo jornalístico de moda com qualidade. Parabéns à equipe, que está creditada no final do post. Boa leitura!

Foto: Emanuel Messias

Foto: Emanuel Messias

Quem anda pelos caminhos do Parque do Povo nesses dias de festa não pode deixar de reparar no visual caprichado de homens, mulheres e até mesmo crianças. E não é só nos grandes centros que isso se percebe, em comemorações de bairro e em cidades pequenas, festa de rua significa roupa nova. Para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), os festejos juninos representam um aumento nas vendas de cerca de 30% em relação ao mesmo período do ano passado.

O São João de Campina Grande trouxe consigo uma grande expectativa de vendas na linha de roupas e acessórios. “É nesta época em que a população de Campina Grande costuma procurar com maior intensidade as lojas de roupas, calçados, alimentação e também serviços como salões de beleza e postos de combustíveis”, diz Hilton Motta Filho, presidente da CDL. A vendedora Vanessa afirma que esse aumento se compara às vendas do período Natalino, sendo os dois melhores períodos de comércio. Para os clientes, a vaidade é o fator que mais contribui para esse aumento. “A aparência é importante, onde chegamos as pessoas nos definem e julgam de acordo como estamos vestidos, é bom estar bem vestido para transparecer uma boa imagem”, diz a estudante Karolyne Cartaxo.

É feito um alto investimento nesse comércio nessa época. Uns compram por necessidade, mas, a grande maioria está alimentando sua vaidade, inclusive os homens. Atualmente não só as mulheres estão gastando em vestuário. O comprador Igor Silveira, 22 anos, acha que os homens se importam sim com as vestimentas, mesmo muitos não admitindo esse interesse. São as festas juninas promovendo a moda e o comércio da região.

P&B e Top Cropped são os grandes hits do São João

Como acontece nos grandes desfiles de moda, as ruas do Parque do Povo ficam cheias de tendências durante o período junino. Este ano não está sendo diferente, e algumas modas queridinhas das mulheres fazem a cabeça e os pés das frequentadoras da festa. Desta vez, o binômio preto e branco aparece por todos os lados, acompanhado dos top croppeds e de sapatos de salto flutuante. A dupla formada pelo preto e pelo branco vem de forma moderna e é vista em todos os lugares, “seja com listras ou em quadriculados, em outras estampas, ou então em um look como um todo” como aponta a consultora de moda Ceicinha Figueiredo.

Mas não se deve deixar levar por essa tendência sem antes analisar se ela serve para você. Mesmo sendo uma moda clássica e democrática, existem as suas exceções. Calças listradas, por exemplo, para meninas de quadril largo, por mais que sejam listras verticais, que têm tendência a emagrecer, acabam destacando os volumes, ou seja, deve haver moderação no uso desse duo, como explica a consultora.

Looks em P&B montados por Ceicinha Figueiredo na loja Hering

Looks em P&B montados por Ceicinha Figueiredo na loja Hering

O preto e branco foi eternizado pela estilista Coco Chanel – que foi a responsável pela grande revolução no vestuário feminino em meados da década de 1920 – principalmente por meio das estampas conhecidas por pied-de-poule e pied-de-coq, que ficaram famosas no mundo todo. Pied-de-poule, que é a estampa menor, traduzido do francês seria pé de galinha, e ganhou esse nome por realmente parecer uma pegada de galinha, enquanto o pied-de-coq, a estampa maior, é pé de galo, por parecer uma pegada de galo. Ou então nas listras, que tanto gostava.

Pied-de-poule, a estampa menor

Pied-de-poule, a estampa menor

Pied-de-coq, estampa maior

Pied-de-coq, estampa maior

Coco Chanel usando listras

Coco Chanel usando listras

E no Parque do Povo, algumas mulheres usando as listras.

Fatima Feitosa, Mari Oliveira, Andreza Lima e Simone de Almeida usam a tendência

Fatima Feitosa, Mari Oliveira, Andreza Lima e Simone de Almeida usam a tendência

Luana Larissa, Ana Luiza e mãe e filha, Patrícia e Evillyn

Luana Larissa, Ana Luiza e mãe e filha, Patrícia e Evillyn

Outra tendência que está ocupando a cabeça das mulheres no Parque do Povo é o Top Cropped. Popularizado nos anos 90, volta agora com uma diferença: não se mostra o umbigo. A peça atual consiste em um top ou blusa curta, usado com calça, saia ou shorts de cintura alta, cobrindo o umbigo, para não parecer vulgar. É uma grande aposta do verão 2013 por causa do nosso clima, e deve ser usado em lugares informais. Vai bem também com saltos, que deixam a produção mais elegante.

 

As estudantes Larissa Gomes e Thayla Brenda Silva usaram Top Cropped no Parque do Povo

As estudantes Larissa Gomes e Thayla Brenda Silva usaram Top Cropped no Parque do Povo

Gabriele Rocha decidiu usar Top Cropped e listras P&B em um único look

Gabriele Rocha decidiu usar Top Cropped e listras P&B em um único look

Salto fantasma, será que essa moda pega?

Você já pensou em usar um sapato de salto alto, mas sem o salto? Sim, isso existe, e se chama salto phantom ou salto fantasma. Queridinho de várias fashionistas ao redor do mundo, o salto fantasma consiste em um sapato sem salto, mas com uma meia-pata avantajada e surgiu em 2001, quando Antônio Berardi criou sapatos sem salto aparente. Mas a sua popularização só aconteceu realmente dez anos depois, em 2011, quando a excêntrica cantora Lady GaGa usou sapatos criados pelo designer japonês Noritaka Tatehana, que chegavam a 25 centímetros de altura. Apesar de parecer o contrário, quem usou afirma ser super confortável.

Lady GaGa com alguns dos seus saltos fantasmas

Lady GaGa com alguns dos seus saltos fantasmas

Salto phantom de Giuseppe Zanotti

Salto phantom de Giuseppe Zanotti

Natália com seu look de oncinha e sapato de salto fantasma

Natália com seu look de oncinha e sapato de salto fantasma

Por aqui, nas noites de São João do Parque do Povo, já têm mulheres usando a tendência. Entre elas, a empresária Natália Jordania, que também estava usando a atemporal estampa de oncinha, no vestido e na bolsa. Mas, e aí, será que veremos – ou não – mais vezes o fantasma nos pés campinenses? Ou essa é uma moda passageira? Quem viver, verá!

Espaço para o tradicional

 

Em meio a tantas tendências, ainda há espaço para o uso dos tradicionais looks que incluem a famosa estampa xadrez e a bota. Em vários estilos e variações, homens e mulheres não deixam de usar esses símbolos das festas juninas. A estudante Anne Vasconcelos e o namorado Carlos de Souza Aragão foram juntos para a festa junina trajando blusa xadrez, calça jeans e bota: ela num estilo mais romântico de salto e ele num estilo mais vaqueiro. “A gente se sente confortável com esse tipo de roupa, é a época do ano em que a gente mais pode usar. Essas peças ficam guardada o ano todo esperando o São João chegar”, afirma Anne.

Mas não é preciso ir fantasiado de festejos juninos para usar essas peças. O xadrez, em especial, já virou um clássico da moda e vai bem com praticamente tudo. Veja algumas dicas de produções para essa estampa e aproveite as peças que você tem em casa para curtir o restante das festas de São João.

Foto_Matéria2_xadrez_Looks para noite

Foto_Matéria2_xadrez_Looks de dia

 

Reportagem: Ivan Andrey, Bruna Neves, Káio Lenno Araújo e Agda Aquino

Edição: Agda Aquino

Fotos: Ivan Andrey, Káio Lenno Araújo e Jéssica Oliveira

Produção de moda: Ivan Andrey e Rosemere Marinho

Especial festas juninas – veja dicas fashion

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Hoje é dia de Santo Antônio, o primeiro dos grandes santos comemorados nos festejos juninos. Aqui no Nordeste é comum investir mais no look nessa época, uma das mais esperadas do ano. São festas e festejos animados, felizes, ideais para caprichar na estampa. Hoje eu trago aqui algumas das melhores  e mais visitadas postagens do ano passado sobre o assunto, posts que continuam valendo hoje. Recordar é viver, confere aí!

Tire sua peça xadrez do armário e caia no forró

Unhas juninas – ainda dá tempo de fazer a sua

Roupas de São João em programa de rádio

Espaço Experimental

Salão de artesanato em Campina Grande – um universo cheio de moda

Amy Winehouse deixou sua marca na música e na moda

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Ontem o mundo recebeu a notícia da morte da cantora Amy Whinehouse e eu resolvi fazer uma homenagem aqui no blog a essa artista que marcou a história da música com seu estilo, sua voz e suas polêmicas. Eu fui ao show dela em Recife em janeiro deste ano, show este que parece ter sido um dos últimos de sua vida. Motivo não para comemorar, e sim para lamentar pela sua morte prematura. Apesar de não ter sido necessariamente uma surpresa (já que muitos previam que o estilo de vida da cantora não a levaria muitos anos mais adiante) é sempre triste ver um talento musical se ir tão cedo como já ocorreu no passado com nomes como Renato Russo, Cazuza, Freddie Mercury, Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Kurt Cobain…

Amy Whinehouse foi considerada por muitos estilistas e fashionistas como ícone fashion de nosso tempo (com pitada retrô muito forte, claro!). O estilo da cantora ficou tão famoso que foi copiado por garotas de todo o mundo e a fez lançar sua marca de cosméticos ainda em 2008 (com destaque para os laquês de cabelo e os delineadores pretos para os olhos). No mesmo ano, o estilista Karl Lagerfeld disse que a cantora era um dos ícones de estilo para ele e a chamou da “nova Brigitte Bardot”.

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Não é de hoje que os ícones da música (em especial do rock) marcam as tendências de moda no mundo – eu já havia falado sobre isso alguns dias atrás num texto especial para o dia do rock. Com Amy Winehouse não foi diferente: do cabelão inspirado nos anos 1960, passando pelos inesquecíveis delineadores marcados, a cantora trouxe de volta o glamour retrô sem parecer fantasiada. Ela também gostava de sapatilhas, jeans justinhos, super skinny com barras dobradas, inspirados nos anos 50. Os sapatos tipo peep-toe (com os dedinhos aparecendo) também eram marca registrada da artista. Nos shows não era incomum perceber a cantora om camisetas regata, quase sempre com o sutiã colorido aparecendo, ou com vestidos justos e curtos, com cintura marcada – seja pelo cinto ou pela própria modelagem do vestido. Essa tendência rendeu até um editoral especial na Vogue Paris.

Em 2008 a cantora virou referência para o estilista holandês Hans Ubbink, que usou sua estética (principalmente dos cabelos e dos olhos) para incorporar os elementos de passarela.

Foto: AFP

No começo da carreira, quando lançou o primeiro álbum em 2003 (Frank), Amy Whinehouse tinha um estilo um tanto diferente, mais convencional e menos chamativo. O álbum vendeu quase um milhão de cópias no Reino Unido e mais de 60 mil no Brasil. Com corpo mais recheado de curvas e estilo mais discreto, ela já era adepta de decotes, vestidos curtinhos e justos.

Em 2006 ela estourou no mundo com o álbum “Back to Black”, e vinha com um look um tanto diferente, uma verdadeira diva à moda antiga. Nunca preocupada em usar as últimas tendências e sempre ligada ao estilo próprio, a cantora de vozerão grave entrava de vez para os ícones do mundo da moda (e da música). Era a vez da versão pin-up/rock’n’roll entrar de vez, recheada de estampas xadrez vichy, bolinhas, zebra, onça e tigre.

Amy Whinehouse deixa o mundo dos vivos mas não sem antes deixar sua marca no mundo da moda.

Meia-calça para esquentar as pernas e alegrar o coração

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As meias-calças são sempre cotadas nas coleções de outono/inverno. Mesmo por aqui pelo Nordeste onde faz um calor danado, elas desfilam pelas pernas das moçoilas nessa época do ano. Eu sou suspeita pra falar, eu simplesmente AMO meias-calças, e não é de hoje. Tenho uma coleção que inclui peças de várias cores, catadas desde o tempo em que não era tão fácil assim encontrar peças desse tipo. Lembro que quando eu fui na Espanha em 2006 fiquei en-lou-que-ci-da quando vi uma meia rendada. Antes disso, em 2001, eu já tinha meias de várias cores, principalmente azul, laranja e vermelho.

A pior parte dessa história é que cada uma delas foi pouco usada, tem umas que só saíram da gaveta uma única vez e outras que ainda estão na embalagem original. Também pudera, com esse calorzão aqui fica meio ridículo andar com elas por aí (além de desconfortável, claro). São raras as ocasiões em que dá pra usar. Foi o que fiz nesse São João. Fui passar a data no interior do estado, numa cidade chamada Areial, palco de algumas das minhas melhores recordações de infância. Lá é praticamente o topo da Serra da Borborema, o que rendeu um frio de 17º à noite (marcado no termômetro). Aproveitei para inaugurei uma peça xadrez que ganhei da minha mãe vários meses atrás…

Aí aproveitei para fazer um post mostrando – não a coleção que eu tenho – mas a que eu gostaria de ter. Peças catadas pela internet que me fazer suspirar… Muitas delas e outros modelos incríveis podem ser encontrados no site http://www.etsy.com/shop/post.

Meia-calça tatuada

lindas e divertidas da marca francesa Les Queues de Sardines

Mais algumas da marca francesa Les Queues de Sardines

Com toques mórbidos ou divertidos

Estampadas

Roupas de São João em programa de rádio

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Espaço Experimental

Hoje eu vou compartilhar com vocês uma participação minha em um programa de rádio dos alunos do curso de Comunicação Social da UFPB. O programa se chama Espaço Experimental e vai ao ar todos os sábados na rádio Tabajara AM, orientado pelo querido professor Carmélio Reynaldo. O tema do programa que foi veiculado ontem, é claro, foi junino. E eu estava lá em uma reportagem da fofa Rebbeca Ricarte, falando sobre moda junina, roupas de quadrilhas e xadrez. Quer ouvir? Então clica aqui em baixo.

Tire sua peça xadrez do armário e caia no forró

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Hoje é a noite mais importante dos festejos juninos, a véspera de São João. E nada mais tradicional para esta época do ano do que falar do xadrez (ainda mais quando ele é uma das tendências mais fortes da estação). Mas quem pensa que a estampa xadrez é algo novo, se engana. Aliás, usar o termo “estampa” nem é o mais apropriado, já que originalmente a imagem não é estampada em cima do tecido, e sim trançada nesse modelo, com fios de tingimentos diferentes. No Ocidente a origem dos tecidos em xadrez vem da Idade do Ferro. No norte da Europa escavações arqueológicas descobriram vestígios de sacrifícios humanos onde se identificou que as roupas das vítimas eram quase todas de tecido xadrez em fios de lã.

Na Escócia essa estampa é padrão para o kilt, os tradicionais saiotes pregueados dos homens. Lá eles usam o xadrez quadriculado com linhas e espessuras diferentes, em cores distintas, também chamado de Tartan. As cores servem para identificar o clã ou a família de quem está usando. “Medevi Square” é o nome que se dá à estampa xadrez que tem o vermelho e o branco como cores predominantes, marca registrada do xadrez sueco. O “Vichy” é o nome dado ao xadrez que tem na sua composição principalmente as cores branca e preta.

O xadrez só invadiu o guarda-roupa feminino com a ousadia da estilista francesa Coco Chanel. Por volta de 1916 ela usou a estampa em saias, blusas de malha fina, calças e casacos. Depois disso a marca inglesa Burberry ficou conhecida por sua inconfundível estampa xadrez, criada em 1924 para forros de capas de chuva. Tornou-se sua marca registrada e hoje estampa as mais variadas peças da grife, como casacos, bolsas, biquínis, óculos e sapatos.

Nos anos 70 e 80 os anárquicos punks deram uma nova cara ao xadrez, usado principalmente nas calças sujas e desbotadas, passando o ar de rebeldia. Nos anos 90 os grunges, que tinham a banda Nirvana como principal ícone, usaram a estampa em blusões abertos por cima das camisetas de bandas de rock e ainda passavam aquele ar de desleixo e desarrumação proposital dos punks.

Aqui pelo Nordeste o xadrez tem um significado especial a mais: é a padronagem mais associada aos festejos juninos. Está por toda parte, desde as toalhas para decorar as mesas, passando pelos remendos das calças dos homens, pelos lenços e principalmente pelas roupas (tradicionais e estilizadas) dos dançarinos de quadrilha.

vestido matuto festa junina

E este ano o xadrez é uma das tendências mais forte do outono/inverno, tanto para os homens quanto para as mulheres. Presente em camisetas (como tradicionalmente acontece) mas não só. Lenços, calças, saias, bermudas, vestidos, cintos e várias outras peças aparecem em xadrez. Na forma de usar, dá pra misturar estampas diferentes, usar tudo junto, ou escolher uma peça só para o look (eu prefiro só um detalhes, mas isso é muito pessoal).

Para os rapazes, a forma mais tradicional de uso do xadrez é nas camisas, sejam elas por dentro ou por fora. Mas também existem opções super bacanas em calças e bermudas.

 

Esses dias vi um quadro no programa Vamos Combinar, do GNT, sugerindo formas diferentes de usar o xadrez. Achei inspirador. Olha o vídeo aí em baixo:

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